segunda-feira, 16 de maio de 2011

Paulo Freire não é o Papai Noel

Quase sempre escuto colegas professores, tratando o militante comunista Paulo Freire como se fosse um “santo”, que deve ser reverenciado e não estudado. Normalmente o despolitizam, e sem saber exatamente o que Freire defendia já vi públicos de pessoas avessas à militância política aplaudirem, simplesmente por ouvirem o nome do famosos educador citado por um palestrante. Vi também pessoas que se dizem apolíticas e que acham que existe educação neutra, dizerem que gostam de Paulo Freire.
Infelizmente Freire se tornou um lugar comum na educação. Todos sabem que ele foi importante e todos reverenciam, mas o porque de sua importância foi esquecido e despolitizado. Não sou um profundo conhecedor de Paulo Freire, apenas li algumas coisas, mas ao ler um trecho de um livro em especial, achei uma parte que prova que apesar dele ser um velhinho simpático de barba branca comprida, ele não é o Papai Noel.
Paulo Freire é patrimônio da esquerda brasileira. Que bom que é admirado por todos. Mas se quiserem realmente homenageá-lo, conheçam o caráter revolucionário de Paulo Freie e façam como ele, militem politicamente por um mundo socialista. Ficar infurnado só dando aula e criticando o mundo cruél que nos cerca, não muda a sociedade. Trabalhador de braço cruzado só reclamando da vida é a alegria das classes dominantes.

Última observação: sim, isso é um recado desaforado para "alguéns", mas serve para todo mundo.

Vai a seguir um trecho de um dos seus livros para sustentar o que disse, mas podemos encontrar outras várias partes de outros livros que também poderiam me ajudar, mas vai lá.

“O mito da neutralidade da educação, que leva à negação da natureza política do processo educativo e a tomá-lo como um quefazer puro, em que nos engajamos a serviço da humanidade entendida como uma abstração, é o ponto de partida para compreendermos as diferenças fundamentais entre uma prática ingênua, uma prática astuta e outra crítica.
Do ponto de vista crítico, é tão impossível negar a natureza política do processo educativo quanto negar o caráter educativo do ato político. Isto não significa, porém, que a natureza política do processo educativo e o caráter educativo do ato político esgotem a compreensão daquele processo e deste ato. Isto significa ser impossível, de um lado, como já salientei, uma educação neutra, que se diga a serviço da humanidade, dos seres humanos em geral; de outro lado uma prática política esvaziada de significação educativa. Neste sentido é que todo partido político é sempre educador e, como tal, sua proposta política vai ganhando carne ou não na relação entre os atos de denunciar e de anunciar. Mas é neste sentido também que, tanto no caso do processo educativo quanto do ato político, uma das questões fundamentais seja a clareza em torno de a favor de quem e do quê, portanto contra quem e contra o quê, fazemos a educação e de a favor de quem e do quê, portanto contra quem e contra o quê, desenvolvemos a atividade política.
Quanto mais ganhamos esta clareza através da prática, tanto mais percebemos a impossibilidade de separar o inseparável: a educação da política. Entendemos então, facilmente, não ser possível pensar, sequer, a educação, sem que se esteja atento à questão do poder. [...]
[...] A educação reproduz a ideologia dominante, é certo, mas não faz apena isto. Nem mesmo em sociedade altamente modernizadas, com classes dominantes altamente competentes e conscientes do papel da educação, ela é apenas reprodutora da ideologia daquelas classes. As contradições que caracterizam a sociedade, como está sendo, penetram a intimidade das instituições pedagógicas em que a educação sistemática se está dando e alteram o seu papel ou o seu esforço reprodutor da ideologia dominante.”

Paulo Freire. A importância do ato de ler. (p.23 e 24)

2 comentários:

  1. Ótimo Mariozinho!
    As pessoas 'vomitam' Paulo Freire e pedagogismos baratos sem uma real reflexão!Muito bem colocado.

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  2. Ficou Duca Camarada!
    Por que voce nao poe aqueles botoezinhos do Twt e FB pra gente dar amplitude a coisas como estas?

    Abraço
    André Melão
    Araucária - PR

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