quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Inicia rodada de ataque do governo golpista de Temer contra o Ensino Profissionalizante Integrado ao Médio

Vai a seguir a entrevista que Maria Helena Guimarães, Secretária Executiva do MEC golpista, deu à Revista Época, sobre o "novo ensino médio" que está sendo pensado pelo governo federal, e que atingirá em cheio a Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica. 
Maria Helena é uma entusiasta do ensino técnico do sistema S, voltado para formar força de trabalho barata, preferencialmente alienada, para que seja explorada pelo empresariado sem resistência. A proposta que está a seguir, desmonta o ensino médio profissionalizante integrado, como fez anteriormente o governo FHC. 
Isso quebra a espinha dorsal da principal concepção político pedagógica dos Institutos Federais, que é o trabalho como princípio educativo, na busca de formação de pessoas com formação técnica, mas que também tenham a formação para o exercício da cidadania crítica e o estímulo a inovação, ao associativismo entre trabalhadores na busca por uma sociedade mais justa e um planeta mais sustentável ambientalmente. 
O trabalho não deve ser realizado de maneira alienada e o trabalhador precisa ter a consciência do seu valor e de seu poder criador, ao perceber que o desenvolvimento da técnica e do trabalho humano são condições fundantes para a manutenção da vida da humanidade como tal. O trabalho é o principal elemento que nos faz humanos, nos diferenciando dos outros animais.
Novamente se aprofundará um ensino médio para os filhos das elites e um para os das classes trabalhadoras, que bloqueará os processos de mobilidade social pela educação que temos visto nos últimos anos. O projeto que motivou a construção dos IF's está muito ameaçado por este governo.
Além disso, este projeto maluco, tirado da manga sorrateiramente pelos golpistas, é contraditório com anos de discussões dos melhores educadores do país, que participam das Conferências Nacionais de Educação, em suas etapas municipais e estaduais, do Conselho Nacional de Educação e de outras instâncias democráticas e qualificadas, que são legítimas para essa discussão e não um congresso golpista, corrupto e conservador. 
Com este projeto o governo passa por cima de um Plano Nacional de Educação, de uma LDB, amparada na Constituição, e por último, da discussão que tem mobilizado milhares de educadores no país todo, que é sobre a Base Nacional Comum Curricular. Simplesmente definiram que o ensino médio sai da discussão da Base. Com que legitimidade fazem isso?
Usam o argumento que em outros países funciona bem de outro jeito, que só o Brasil tem um ensino médio assim, o que é uma distorção. Já vimos que modelos copiados não resolvem, o que é dito pelos melhores especialistas em educação. Usam este argumento devido a maldita mania do brasileiro de achar que tudo que vem da Europa ou dos EUA é melhor, mas não é. 
A educação norte-americana é absurdamente excludente e alienante, isso dito pelos próprios estadonidenses que pesquisam sua educação como Michael Apple e Diane Ravitch, esta última nem de esquerda é, foi elaboradora de políticas educacionais no governo Bush filho, apesar de ser Democrata.
Acho que a posição do CONIF e IF's, sobre este projeto de Lei que a entrevista aponta, tem que ser barulhenta e taxativamente contra o retrocesso antidemocrático que está por vir. E a mobilização dos(as) educadores(as), com seus sindicatos, forte. Espero que o Sinasefe saia da letargia.
Em fim, resolvi compartilhar estas reflexões confusas e a entrevista, pois vejo com muita gravidade o impacto na vida de todos(as) nós, o que resultará se este projeto for aprovado. Concordo que precisam ocorrer mudanças no ensino médio, e temos discutido isso nas escolas, mas precarização irresponsável não é saída. Além disso, a instância e o tempo para essa discussão é equivocada. 
Entendo que os marcos legais para uma educação de qualidade já existem, o que precisamos é de investimento financeiro pesado, controle social, implementar o Plano Nacional de Educação, que já seria um mega avanço, e deixar que os educadores(as) façam em paz o que sabem fazer melhor.

Link da entrevista:


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